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Category Archives: Entrevistas

Alexander Wang diz ao “The Huffington Post” que ainda acha estranho ver seu nome nas coisas

Fashion CFDA Emerging TalentAlexander Wang, de apenas 25 anos, nome por trás de sua própria marca desde 2007, conhecido pelo seu estilo descolado e urbano, mas bem sexy, mantém-se modesto e sem afetação, fato raro em um mundo repleto de egos inflados e agitados bastidores.

Foi um dos maiores destaques do pré-outono 2010 de Nova York, com uma coleção repleta de preto e linhas retas, bastante minimalista, suas características mais marcantes. A apresentação monocromática se destaca por sobreposições de comprimentos e texturas, provando que nem sempre simplicidade é monótono.

Segundo o The New York Times, Wang diz que roupas são para vestir e não como muitos defendem, apenas a moda conceito, fazendo questão de dizer que não está “inventando a roda” e que, ao contrário do que todos consideram, não é um artista. Ainda diz que acha estranho ver seu nome nas coisas.

Tal “descaso” deve-se por sua íntima e instintiva relação com moda, já que o estilista carrega consigo uma foto da Harper’s Bazaar de um terno Tom Ford para Gucci, por qual se encantou quando tinha apenas 8 anos de idade.

Entrevista com Camila Yahn

Closet On Line – O que é o Pense Moda?

Camila Yahn – É um seminário anual que tem a proposta de promover encontros entre profissionais de moda, brasileiros e estrangeiros, para que haja mais diálogo na moda.

COL – Quando surgiu a idéia?

CY – Quando eu vi uma campanha brasileira fotografada por um ótimo fotógrafo, mas que era cópia de um anúncio da Chloé. Eu fiquei chocada, pois ele poderia fazer um trabalho muito mais autoral sem deixar de dar a imagem que o cliente precisava. Quer dizer, não foi culpa dele, foi idéia do cliente, mas é pra gente ver como somos colonizados e sem identidade.

COL – Quais seus objetivos?

CY – Passar conhecimento, trocar idéias e abrir a cabeça das pessoas.

COL – Conte-nos sobre o evento deste ano?

CY – Essa é a terceira edição e temos o patrocínio da Renner. Vamos trazer a Cecilia Dean, da revista Visionaire; o Lars Svendsen, autor do livro “A Filosofia da Moda”, o top cabelereiro David Mallett, que cuida da Penelope Cruz, Sharon Stone e Demi Moore; o diretor de arte Jean Michel Bertin, que faz as campanhas da Hermés e a estilista Maroussia Rebecq. Também temos as sabatinas com Gloria Kalil, Paulo Martinez e Carlos Miele e as mesas redondas.

COL – Como você tem enxergado o jornalismo de moda feito no Brasil nos últimos anos?

CY – Fraco e sem opinião.

COL – Como profissional de moda, quais foram as dificuldades quando começou na área?

CY – Trabalhos mal remunerados.

COL – E Brasil realmente está na moda, como você enxerga nosso país no mercado internacional?

CY – É mais a idéia de Brasil que está na moda e não os produtos brasileiros. O Brasil só terá representatividade na moda internacional quando puder oferecer produtos originais e com qualidade.

COL – Você tem sido requisitada para fazer projetos como o da Absolut, como foi que esse evento surgiu na sua vida?

CY – A Absolut me chamou para fazer um projeto de moda para eles e surgiu a idéia de descobrir gente nova e usar os meus contatos para fazer um desfile e apresentar essas pessoas ao mercado.

COL – E os novos projetos, vamos ver mais coisas da Camila Yahn por ai?

CY – Sim! Muitos projetos em andamento. Aguardem!

COL – Qual o conselho que você dá aos acadêmicos que estão ingressando na área de moda?

CY – Estudem e trabalhem bastante. Quanto mais conhecimento, mais chance de desenvolver um trabalho legal e criativo. E nunca percam uma visão crítica das coisas.

Novembro/2009

Entrevista com Anne Fontaine

Porque se interessou por Gabrielle Chanel como uma personagem?

ANNE FONTAINE – Tive sorte em conhecer Lilou Marquand quando eu era bem mais nova; ela tinha sido a colaboradora mais próxima de Chanel no período final de sua vida e escreveu um livro sobre essa relação intitulado Chanel m’a dit. Então, todos os dias eu ouvia algo sobre esse mito. Também li detidamente o livro de Paul Morand, L’Allure de Chanel, um dos autores que melhor soube expressar a incrível personalidade de Mademoiselle. Não foi tanto a moda, mas as características dessa mulher excepcional que despertaram meu interesse. Fiquei particularmente tocada pelo fato de ela ter vencido pelo esforço pessoal. Essa moça pobre, sem formação, que saiu do interior da França, mas dotada de uma personalidade excepcional, estava destinada a estar à frente de seu tempo e de uma sociedade em que as mulheres eram prisioneiras de comportamentos e de um vestuário alienante. O estilo quase balzaquiano de seu caminho me intrigou especialmente. Lembro-me de pendurar fotos de Chanel ainda jovem nas paredes do meu quarto, mas nunca pensei que faria um filme inteiro sobre o tema. Muitos anos depois, numa conversa sobre Chanel com Carole Scotta e Caroline Benjo, produtoras do Estúdio Haut et Court, elas me perguntaram se eu estaria interessada em desenvolver um projeto recordando sua trajetória. Meu interesse pela personagem se reativou. Perguntei se me dariam tempo para refletir, assinalando que considerava um erro retratar toda a vida de Coco Chanel. Tive de pensar se seria possível me ater à primeira fase da vida dela, os anos de preparação, o que aconteceu antes que a própria Chanel compreendesse seu destino fabuloso. Então li sua biografia, de autoria da escritora Edmonde Charles-Roux, A Era Chanel. Outra condição imperativa era encontrar a atriz certa para personificar esse mito, e não alguém que fizesse uma mera imitação de Chanel.

Audrey Tautou obviamente era a atriz ideal para retratar Coco Chanel.

ANNE FONTAINE – Sim, e Audrey incorpora com muita naturalidade um visual andrógino, algo que não existia naquela época e essencial para compreender como Coco Chanel inventou seu estilo. Chanel se inspirou em sua própria personalidade; compôs seu estilo a partir de seu corpo, sua diferença e vitalidade. Atualmente a androginia está na moda, mas naquela altura as mulheres eram curvilíneas, roliças. Chanel também lançou a moda do cabelo curto. A atriz precisava combinar uma silhueta esguia com um temperamento forte, uma mão de ferro em luva de veludo. Audrey tem a cintura mais fininha do mundo! Mas também tem a impetuosidade que Paul Morand atribuía a Chanel, a graciosidade, a elegância e um carisma irrefutável. No meu primeiro encontro com Audrey, fiquei impressionada com sua determinação, sua ousadia e a densidade de seu olhar, que atravessa você. Chanel olhava para tudo. Sua cultura não se baseava no conhecimento, e sim na observação. Eu não tinha escrito sequer uma linha do roteiro quando conheci Audrey, porém sabia que, se ganhasse a confiança dela e a produção concordasse em se manter nos anos de Chanel como aprendiz, eu poderia então embarcar na aventura do meu primeiro filme de época.

A senhora escolheu evitar os aspectos biográficos ao contar a história e ater-se à criatividade e à gênese da fabulosa carreira de Chanel.

ANNE FONTAINE – É que naqueles anos havia inúmeros fatores altamente românticos, sendo o primeiro, é claro, a juventude de uma menina do interior vivendo em pobreza extrema.

A infância de Chanel é material para a literatura romântica?

ANNE FONTAINE – É, sim. Chanel é digna de ser uma das grandes heroínas da literatura. Ela teve de superar o pior. Ainda pequena, Gabrielle perde a mãe, logo depois o pai, um caixeiro-viajante, a abandona. Ela é deixada em um orfanato do mosteiro de Aubazine, onde as religiosas a ensinam a meticulosa arte da costura. Em seguida, nós a vemos tentando a sorte num cabaré de Moulins, onde ela canta a famosa canção “Coco qui a vu Coco” diante de uma plateia de soldados bêbados!

Ao escrever um roteiro sobre uma personagem famosa, a senhora tinha em mente que o público já sabe qual será o final da história. Ainda assim conseguiu criar tensão. 

ANNE FONTAINE – O suspense é algo bem real na vida dessa heroína: como ela vai conseguir? Como vai fazer? Como ela vai superar a falta de formação? É interessante ver que Chanel, cujo nome hoje é emblemático da alta-costura, inicialmente não se interessava muito por moda.  Ela queria ser bailarina, cantora ou atriz. Após abandonar o sonho de se tornar uma artista, sua fantástica carreira foi sendo construída sem que ela o soubesse. O que me interessou particularmente foi ver Coco traçar seu destino diante de nossos olhos, inventando-o ao longo do caminho. Com ela nada era programado; ela não seguiu uma carreira em busca do sucesso, ela a inventou. Ela não tinha a ambição de se adequar nem as ferramentas para se adaptar ao mundo da burguesia – suas portas estavam fechadas para ela -, então chamou atenção pela provocação. Ela não queria se pautar por esse mundo, e sim que ele se adaptasse à sua personalidade. E também gostava de arriscar. Gosto muito de saber que ela era uma clandestina quando iniciou sua jornada no mundo. Quando ela chega a Royallieu, Balsan a proíbe de sair da cama. Ela forjou uma imagem emblemática guardando segredo sobre sua origem; sempre floreou a história de sua infância.

No começo, Coco Chanel era uma mulher contida.

ANNE FONTAINE – Pois é, há uma contradição com a imagem que temos dela hoje, uma mulher elegante, vestida com um tailleur sóbrio e chique, que construiu um império de luxo graças à sua independência; uma mulher que nunca se casou. No entanto, quando jovem Chanel usou os homens para se manter. Na realidade, ela foi uma cortesã. Nos anos em Royallieu, Coco exercitou seu charme sobre mulheres e homens, sofisticou-se e endureceu seu temperamento. As “mulheres de reputação duvidosa” que ela costumava encontrar em Royallieu usavam vestidos de renda; então, para se distinguir desse círculo de pessoas, criou vestidos tão simples que enfatizavam ostensivamente a decência. A partir daí, passou a se vestir sempre como uma moça comedida, usando um dos chapéus de palha que fez para si mesma e que se tornaram objeto de desejo entre suas amigas. Ela remava contra a maré para criar. “Eu tinha que tornar fora de moda tudo o que eu detestava”, ela declarou.

Em suas criações, Chanel nunca projetava a imagem da mulher ideal, como os estilistas geralmente fazem. Ela construiu seu estilo lendário segundo suas próprias características e diferenças.

ANNE FONTAINE – Ela era diferente. Chanel transformou essa diferença em uma vantagem fundamental, embora deva ter lhe causado muito sofrimento. Trabalhamos nessa transformação com Audrey. No começo, ela aparece como uma menina do interior, sem cultura; depois nós vemos como seu estilo se choca com o das outras mulheres, para no final ela se tornar o retrato da elegância francesa. Achei interessante dar forma a essa evolução sem explicar demais as coisas. Pouco a pouco, tudo nela era gracioso, e o que as pessoas viam era Chanel.

Seu filme também se baseia em uma história de amor bela e trágica, certo?

ANNE FONTAINE – Nós a vemos conhecer dois homens que mudaram radicalmente seu destino: Balsan, um rico e excêntrico fazendeiro interpretado por Benoît Poelvoorde; e um jovem inglês, Arthur Capel, apelidado de “Boy”, o amor da vida dela, interpretado por Alessandro Nivola. Este homem acredita nela e isso é importante, pois ela o perde. “Perdi tudo ao perder Capel”, declarou Chanel. E então, ela mergulha no trabalho. O que mais me impressionou foi que tudo o que Chanel inventou surgiu nesses anos. Posteriormente, a moda dela se adaptou a isso e ela desenvolveu seu estilo; ela se tornou uma profissional. É por isso que esse período de sua vida é o mais cheio de vida e o mais comovente. Há nela uma grande determinação e muita vulnerabilidade ao mesmo tempo. Chanel possuía uma vitalidade incrível, oriunda de seu sofrimento.

“Uma mulher que chorou até não poder mais” é o que as pessoas dizem a respeito dela.

ANNE FONTAINE – Exatamente! Chanel superava a dor por meio do trabalho. Gosto da maneira como ela lidava com os infortúnios, transformando o sofrimento em criatividade. Esse é outro ponto interessante dessa parte de sua vida, pois quando se tornou uma celebridade, ela inevitavelmente ficou mais mecânica, prática e isolada.

Essa mulher também era dotada de um humor cortante.

ANNE FONTAINE – Chanel era bastante irônica. No filme, ela diz à irmã: “A única coisa boa do amor é fazer amor. É uma pena que seja necessário um homem para isso!” Chanel seduzia com seus comentários cortantes. Quando conheceu Balsan, disse: “Quando estou entediada, sinto-me muito velha”. Então ele perguntou: “E quanto anos você tem agora?” Ela respondeu: “Mil anos!”

Balsan no começo era um tanto indiferente, mas acaba se tornando bem próximo de Chanel. 

ANNE FONTAINE – Adorei criar o personagem Balsan, de quem se sabe muito pouco. De certo modo, ele também não acredita no amor. Ele ama seus cavalos, adora festas libertinas e, ao mesmo tempo, o homem festeiro oculta muita emoção e humanidade. Quando imaginei esse homem, imediatamente pensei em Benoît Poelvoorde. Ele era o único ator que poderia incorporar tanto o lado agitador quanto o lado afetuoso dele. É pela observação do pequeno universo ao redor de Balsan que Chanel forja seu estilo, tirando inspiração, por exemplo, dos tecidos leves e funcionais usados na prática de esportes, modificando roupas de montaria e pegando emprestados os pijamas de Balsan. É a partir do guarda-roupa de Balsan que ela primeiro improvisa um visual andrógino.

Ao conhecer Boy Capel, ela finalmente se permite amar.

ANNE FONTAINE – Na verdade ela se apaixonou perdidamente por Boy Capel de maneira bem sincera, mas, ao mesmo tempo, ela não acreditava no amor. Ela queria evitar as armadilhas em que sua mãe caíra. Coco a viu sofrer e ser abandonada várias vezes por seu pai, um caixeiro-viajante que seguia de cidade em cidade, de mulher em mulher. Foi assim que ela compreendeu a situação das mulheres, vendo a mãe sofrer e morrer padecendo de dores terríveis. Então, muito cedo ela deve ter pensado “Comigo nunca!”. Talvez seja por isso que ela viu antes de todo mundo que a mulher moderna não continuaria vivendo daquela forma por muito tempo. Sempre remando contra a maré, Chanel decide celebrar a liberdade e a independência da mulher. A perda do homem da sua vida foi outro empurrão do destino.

Que liberdades a senhora tomou ao escrever o roteiro?

ANNE FONTAINE – Para interpretar uma pessoa famosa, tinha de me libertar da ditadura da biografia se eu quisesse recuperar o frescor. Os outros roteiristas e eu tivemos de inventar algumas coisas, desrespeitar a cronologia, alterar ou dar mais densidade a alguns personagens. O papel de Marie Gillain é uma combinação da irmã de verdade e da tia Adrienne, que tinha a idade dela e a mesma ambição de vencer na vida. A personagem Emilienne, interpretada por Emmanuelle Devos, é inspirada na famosa comediante Gabrielle Dorziat e em Emilienne d’Alençon, dançarina e cortesã. Brilhantemente interpretado por Alessandro Nivola, Boy Capel, figura importante na vida de Chanel, na verdade não estava mais com ela. Sabe-se muito pouco sobre os primeiros anos da vida de Chanel, e ela sempre mentia a respeito. Ela costumava dizer uma coisa que considero sublime: “Inventei minha vida porque não gostava dela”.

Sua direção respeita e valoriza o lema de Coco Chanel, que era: “Deve-se sempre remover, tirar, e nunca acrescentar.” Tal como ela, a senhora não gosta do supérfluo, dos enfeites, dos excessos.

ANNE FONTAINE – Era importante para mim que o filme parecesse com ela, sem estardalhaço ou lirismo estético. O estilo de Chanel é facilmente reconhecível em meio a outros pelo seu rigor, a simplicidade elegante das linhas. Na cena do hipódromo ou na praia de Deauville, fica evidente a oposição entre o estilo de Chanel e os vestidos daquelas mulheres, seus adereços de cabeça, todos os babados e espartilhos que parecem cortá-las ao meio! Elas tinham uma postura decorativa, enquanto Chanel se preocupava com a existência da mulher enquanto indivíduo. Era preciso ir ao âmago das coisas, o tempo todo, no filme.

A senhora disse que a sobriedade e o minimalismo, que foram determinantes para a originalidade das criações de Chanel, originaram-se da arquitetura do mosteiro de Aubazine, dos vestidos das freiras e do uniforme de blusa branca e saia preta, correto?

ANNE FONTAINE – Sim. É importante visualizar a garotinha nesse ambiente. Eu queria me ater à rigidez, com o preto e o branco dominando, e que se tornariam a quintessência do estilo Chanel. Posteriormente, nós a vemos em Moulins pegando um de seus vestidos e acrescentando um colar branco e punhos brancos de uma camisa masculina para confeccionar um disfarce para Emilienne, ou seja, a roupa do orfanato. O famoso tubinho preto estava tomando forma e se tornaria a marca registrada dela.

Com a sua leitura da vida amorosa de Chanel, poderíamos questionar se o “tubinho preto” — que se tornou sua grande glória — não teria sido criado para a própria Chanel, uma mulher marcada pela solidão?

ANNE FONTAINE – Em todo caso, filmei toda a parte da alta-costura dessa forma, associando suas criações à sua vida e, particularmente, ao acontecimento violento que sofreu, o acidente de Capel. Há beleza na maneira como ela transforma esse drama numa obsessão com o preto, sua cor cult. Essa relação confere uma dimensão lírica às criações dela, embora, por definição, uma roupa não tenha tal dimensão. O que torna uma roupa sublime é ganhar vida quando é vestida. O que Chanel deu às roupas femininas foi movimento. Ela ofereceu liberdade às mulheres.

Na sequência final, um desfile de moda apresenta as coleções que estabeleceram a  fama de Chanel com o passar dos anos. Nesta sequência, sentada em sua famosa escadaria, Coco Chanel saboreia seu triunfo enquanto recorda momentos de seu passado.

ANNE FONTAINE – No começo do filme, ela está evoluindo; no final, ela se metamorfoseou. Ela se torna Coco Chanel e sua história não pode ser desvinculada do século que se iniciava. Esta sequência parece um sonho: nós a vemos trabalhando e de repente esse trabalho gera um desfile não totalmente real, pois várias épocas e estilos se misturam. Ela já aparece com a estatura de mito. Tentei construir o final de maneira alegórica para ao fim chegar perto de um estado de graça. Chanel está triunfante, mas pode-se captar certa melancolia por trás disso. O modo como lidei com o momento que se segue ao relacionamento com Boy mostra que a única alternativa existencial que lhe restou foi entregar-se ao trabalho. Costurar é uma arte muito humilde: cortar, rasgar, prender com alfinetes, coser… Há beleza nessa humildade e o desafio era fazer isso transparecer na tela. Procurei recontar isso na parte final do filme, mostrando esse detalhe, essa simplicidade e, ao mesmo tempo, a densidade e a tensão. O rosto de Audrey no final já mostra essa determinação, a abnegação e a concentração que permitirão a Coco alcançar a essência de si mesma e se transformar no mito que todos conhecemos, a primeira mulher num mundo masculino, que construiu um império que ainda leva seu nome hoje em dia.

Essa história de aprendizado, em que a heroína mostra sua tenacidade, determinação e fé em si mesma para tomar as rédeas de seu destino pode interessar a qualquer mulher, não acha?

ANNE FONTAINE – Certamente. Chanel costumava dizer, como consta no livro de Paul Morand: “Minha vida é a história – geralmente a tragédia – de uma mulher sozinha, suas tristezas, sua grandeza, sua luta desigual e fascinante contra si mesma, contra os homens, os atrativos, fraquezas e perigos que surgem de todos os lados”. Qualquer homem ou mulher pode se reconhecer nisso, ou pelo menos se comover com as histórias de amor dela e as fatalidades do destino que a atingem em certos momentos do filme.

A Maison Chanel a acompanhou durante o projeto?

ANNE FONTAINE – A colaboração da Maison Chanel foi indispensável para nós, particularmente na sequência final, em que seria impensável não ter vestidos da grife de Chanel. Nessa sequência, todos os vestidos foram emprestados pelo Conservatório Chanel, em Paris. Encontrei-me várias vezes com Karl Lagerfeld; mostramos a ele os desenhos das roupas que Catherine Leterrier estava fazendo. Quando Karl viu fotos de Audrey Tautou, ele me disse que ela era a única “verdadeira Chanel”. A parceria com a Maison decorreu muito naturalmente, porém não influenciou minha abordagem artística.

COCO ANTES DE CHANEL é seu segundo filme produzido com a Warner Bros. O primeiro foi A Garota de Mônaco, certo?

ANNE FONTAINE – Isso mesmo. Tive sorte porque a Warner Bros. continuou a confiar em mim. É reconfortante saber que um grande estúdio me acompanha num projeto em que estou correndo riscos, já que se trata de meu primeiro filme de época.

Audrey Tautou e Benoît Poelevoorde também confiaram em você.

ANNE FONTAINE – Escrevi o personagem Balsan pensando em Benoît. Tive a oportunidade de testemunhar a dimensão de seu talento quando o dirigi em Em Suas Mãos. Ambos queríamos voltar a trabalhar juntos. Fiquei nervosa no dia em que entreguei uma primeira versão do roteiro a Audrey Tautou. Eu disse a ela: “Você pode recusar, mas não acho que nenhuma outra atriz além de você possa interpretar o papel. Então, se você não aceitar eu vou desistir.” Felizmente, Audrey não demorou a aceitar! Audrey é da mesma região que Chanel. Ela cresceu em Montluçon, a 52 quilômetros de distância de Moulins. Audrey me disse: “Sempre achei que um dia interpretaria essa personagem”. Ela sabia que estava predestinada ao papel.

Outubro/2009

Agradecimentos a Waner Bros. Filmes pela cessão da entrevista da Anne Fontaine para o link Intervalo Fashion do Closet On Line, todos direitos reservados a WanerBros. Filmes.

Entrevista com Esther Bauman da Acqua Studio – Parte II

 

 

Entrevista com Carlos Ferreinha

Closet On Line – Como começou sua historia com o mercado de luxo?

Carlos Ferrerinha – Minha experiência no desenvolvimento de estratégicas emocionais, focadas em servições premium, aconteceu na EDS – electronic data system. Uma escola neste sentido mesmo sendo uma empresa de tecnologia da informação. a Louis Vuitton foi o meu MBA.

COL – Como foi a experiência de presidi as operações da Louis Vuitton no Brasil?

CF – Fui diretor executivo de marketing, comunicação e novos negócios para a Louis Vuitton américa latina e caribe. Uma turning point em minha vida profissional. Me expôs profissionalmente à um novo mundo profissional de grandes oportunidades.

Me levou à posição de empreendedor que tenho hoje, como empresário – sócio-fundador da mcf consultoria & conhecimento.

COL – E  o que caracteriza um produto como artigo de luxo?

CF – Total comprometimento com a excepcionalidade. A difusão do raro, tradicional, original, sinal de perfeição, sinais de exclusividade, especial…

COL – E  para Carlos Ferrerinha o que é luxo?

CF – Terminar uma viagem com minha família (12 pessoas – irmãs, mãe, sobrinhos e cunhado) por Portugal, Paris e Barcelona.

COL – A  moda e o luxo caminham de mãos dadas?

CF – Não. A moda é uma das atividades do luxo. Entretanto, a moda tem forte relação com a história tradicional do luxo.

COL – Qual foi a maior extravagância que você já presenciou nesse mercado?

CF – É  importante dizer que o luxo também é extravagância para algumas pessoas. algumas. As mais impressionantes não acontecem no brasil. acontecem em culturas como dos países árabes e na Rússia, que vive um momento peculiar de consumo pela ostentação. Recentemente uma Ferrari cravejada de diamantes…

COL – E  qual foi a sua maior extravagância?

CF – Sem  duvida alguma… tudo relacionado a musica… cds especiais, coletâneas…

COL – O escândalo da Daslu e agora com o da Tânia Bulhões acabou influenciando o consumo de luxo no país?

CF – São situações complicadas que sem sombra de duvida geram questionamento na atividade. entretanto, a atividade – o segmento no brasil é maior e mais abrangente do que somente a Daslu e Tania Bulhões perfumes.Torço para que ambas operações ajustem este momento. são marcas importantes com conceitos de negócios inovadores.

COL – E  com toda essa crise como fica esse mercado?

CF – Em queda como todos os demais. de forma geral, retrações mais fortes nestes primeiros meses do ano de 2009.

COL – Como surgiu a idéia do MBA em Gestão do Luxo na FAAP?

CF – Encontro  de almas… nós (MCF e eu) já estávamos ministrando cursos e palestras sobre o negócio do luxo no brasil… a FAAP em sua constante busca de diferenciação… o encontro gerou vontade de realizar o projeto. Bem sucedido projeto.

COL – Para  quem é direcionado esse curso?

CF – Executivos, empresários, profissionais em geral. O mais importante é a percepção de aplicabilidade.

COL – Quais os projetos futuros de Carlos Ferrerinha?

CF – São muitos. Interessante pergunta, no lado profissional: levar à MCF à novos patamares – força na internacionalização do nosso trabalho é o foco. A conferência Atualuxo 2009 (O evento ocorreu em setembro enquanto a entrevista estava sendo produzida) é o nosso mais importante projeto este ano… lançamento de uma compilação de artigos escritos ao longo de todos estes anos… o livro “do consumo ao desejo”. Do lado pessoal: desenhar o novo sonho de viagem internacional da minha família: Itália!

COL – Qual sua dica para a próxima geração da moda  do nosso país?

CF – Originalidade acima de qualquer coisa. Consciência do todo: social, sustentabilidade…

Setembro/2009

Entrevista com a designer gaúcha Carla Bal


Closet On Line – Quando surgiu a idéia de ser estilista?

Carla Bal – Na verdade eu nunca quis ser estilista, mas sempre pensei em comunicação, criação, alguma coisa que eu pudesse me expressar. Comecei a vida acadêmica fazendo Publicidade e Propaganda mas tranquei a faculdade. Acabei fazendo moda por ver minhas amigas se divertindo enquanto estudavam. Era muito legal o ambiente onde elas moravam e com certeza aquilo me incentivou muito. Como, na época, não existia faculdade de moda em Porto Alegre, acabei fazendo cursos aleatórios no SENAI e SENAC. Fiz um curso de 2 anos no SENAI e realmente peguei gosto pela coisa. Hoje sou estilista pelas conseqüências da vida. Adoro criar mas ainda tenho medo de expor meus projetos. Ter participado com concurso (Next Generation do Donna Fashion Iguatemi), ter ganho e ter tido a obrigação de apresentar uma coleção me libertou um pouco desse medo e agora estou aqui.

COL – Como surgiu a PANCA?

CB – A PANCA  foi amadurecendo. Ela ficou muito tempo guardada esperando a hora de se tornar uma marca com roupas concisas, que tenham história e agreguem valor ao mercado saturado de camisetas “divertidas”. Meu sonho era trabalhar com tecnologia têxtil (mas depois de descobrir a profundidade da coisa, desisti) então, eu resolvi que a PANCA tenha como característica a redefinição de tecidos. Estou sempre buscando uma nova forma de redimensionar um tecido plano. Mas o impulsionador da existência da PANCA foi mesmo a obrigação que eu me coloquei de apresentar um desfile legal. E ela está se moldando com isso.

COL – Como é o mercado da moda no RS?

CB – Pra essa pergunta o que posso responder é que não conheço, não entendo muito ainda. Nunca achei justo comigo colocar minhas roupas em bazares, por exemplo. Não acho que seja uma coisa que diminua o trabalho de alguém, mas eu quero que minha marca seja forte. Se pra isso ela tenha que ficar mais tempo adormecida, não me preocupo. Algumas lojas quiseram revender as roupas, mas não quero me equivaler a marcas “grandiosas” que fazem a mesma coisa sempre. Não tenho a pretensão de cobrar caro pelas minhas roupas, mas elas tem um trabalho especial.

COL – Quais foram os desafios e as dificuldades de lançar uma nova grife?

CB – A minha maior dificuldade, até agora, é financeira. Meu pai é aposentado do BB e paga tudo pra mim, mas chega uma hora que a fonte esgota. A minha praticamente esgotou. Então agora eu estou em busca de apoiadores e investidores. Tendo feito o desfile que fiz, sem nenhuma ajuda de financeira (tive apoio da Joka Serigrafia nas estampas e da Royal Elastics com os tênis) me faz acreditar ainda mais no meu talento. Foi a primeira vez na vida que eu pensei “Eu realmente sou capaz!” (risos).  Mas tudo está se montando aos poucos. O principal é conseguir montar uma equipe, cabeças que pensem junto comigo. Acredito muito nisso. Por isso os fotógrafos tem toda liberdade quando vão clicar minhas coisas. Acredito que cada um tenha que se expressar dentro de sua área. Acompanho tudo, mas cada um tem a sua voz.

COL – Como você define o estilo da PANCA?

CB – Eu não defino nada! Faço roupas. E é essa a minha intenção. Meu objetivo de vida é apenas dizer a verdade e eu tento passar isso nas minhas roupas. Só.

COL – Qual foi a inspiração para a coleção que vimos no Oi Expressões?

CB –  A coleção do Oi Expressões eu apresentei primeiro no Donna Fashion Iguatemi. Me inspirei nas obras do Tim Burton, tanto os filmes quanto o livro, e na música “Uma delicada forma de calor” do Lobão. Usei o preto pra realçar as pregas, o matelassê e o tramado.

COL – Por que a escolha da cor preta para toda coleção?

CB – A escolha do preto foi, principalmente, pra dar uma ênfase nesse trabalho minucioso de tramar e preguear. Além disso é minha cor preferida, e tem toda a história da depressão, dos problemas que eu tive na vida e que me levaram a ser o que sou. Toda coleção foi feita de uma bagagem cultural e sentimental minha.

COL – Você trabalha com parceiros?

CB – Meus parceiros são meus amigos. Artistas plásticos, publicitários, costureiras, a Joka Serigrafia. São muitas forças que unidas formam a PANCA. A marca não é só minha, é uma grupo de pessoas que me ajudaram e me ajudam incansavelmente. Só falta alguém com dinheiro…

COL – Em quais locais a PANCA é vendida?

CB – Por enquanto a PANCA está sendo vendida por encomenda. Se gostou de alguma peça é só me escrever que eu produzo e mando. Simples assim.

Para ver a moda da PANCA, acesse: http://www.flickr.com/photos/pancadona

Agosto/2009


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