Entrevista com a designer gaúcha Carla Bal


Closet On Line – Quando surgiu a idéia de ser estilista?

Carla Bal - Na verdade eu nunca quis ser estilista, mas sempre pensei em comunicação, criação, alguma coisa que eu pudesse me expressar. Comecei a vida acadêmica fazendo Publicidade e Propaganda mas tranquei a faculdade. Acabei fazendo moda por ver minhas amigas se divertindo enquanto estudavam. Era muito legal o ambiente onde elas moravam e com certeza aquilo me incentivou muito. Como, na época, não existia faculdade de moda em Porto Alegre, acabei fazendo cursos aleatórios no SENAI e SENAC. Fiz um curso de 2 anos no SENAI e realmente peguei gosto pela coisa. Hoje sou estilista pelas conseqüências da vida. Adoro criar mas ainda tenho medo de expor meus projetos. Ter participado com concurso (Next Generation do Donna Fashion Iguatemi), ter ganho e ter tido a obrigação de apresentar uma coleção me libertou um pouco desse medo e agora estou aqui.

COL – Como surgiu a PANCA?

CB – A PANCA  foi amadurecendo. Ela ficou muito tempo guardada esperando a hora de se tornar uma marca com roupas concisas, que tenham história e agreguem valor ao mercado saturado de camisetas “divertidas”. Meu sonho era trabalhar com tecnologia têxtil (mas depois de descobrir a profundidade da coisa, desisti) então, eu resolvi que a PANCA tenha como característica a redefinição de tecidos. Estou sempre buscando uma nova forma de redimensionar um tecido plano. Mas o impulsionador da existência da PANCA foi mesmo a obrigação que eu me coloquei de apresentar um desfile legal. E ela está se moldando com isso.

COL – Como é o mercado da moda no RS?

CB - Pra essa pergunta o que posso responder é que não conheço, não entendo muito ainda. Nunca achei justo comigo colocar minhas roupas em bazares, por exemplo. Não acho que seja uma coisa que diminua o trabalho de alguém, mas eu quero que minha marca seja forte. Se pra isso ela tenha que ficar mais tempo adormecida, não me preocupo. Algumas lojas quiseram revender as roupas, mas não quero me equivaler a marcas “grandiosas” que fazem a mesma coisa sempre. Não tenho a pretensão de cobrar caro pelas minhas roupas, mas elas tem um trabalho especial.

COL Quais foram os desafios e as dificuldades de lançar uma nova grife?

CB – A minha maior dificuldade, até agora, é financeira. Meu pai é aposentado do BB e paga tudo pra mim, mas chega uma hora que a fonte esgota. A minha praticamente esgotou. Então agora eu estou em busca de apoiadores e investidores. Tendo feito o desfile que fiz, sem nenhuma ajuda de financeira (tive apoio da Joka Serigrafia nas estampas e da Royal Elastics com os tênis) me faz acreditar ainda mais no meu talento. Foi a primeira vez na vida que eu pensei “Eu realmente sou capaz!” (risos).  Mas tudo está se montando aos poucos. O principal é conseguir montar uma equipe, cabeças que pensem junto comigo. Acredito muito nisso. Por isso os fotógrafos tem toda liberdade quando vão clicar minhas coisas. Acredito que cada um tenha que se expressar dentro de sua área. Acompanho tudo, mas cada um tem a sua voz.

COL Como você define o estilo da PANCA?

CB – Eu não defino nada! Faço roupas. E é essa a minha intenção. Meu objetivo de vida é apenas dizer a verdade e eu tento passar isso nas minhas roupas. Só.

COL Qual foi a inspiração para a coleção que vimos no Oi Expressões?

CB -  A coleção do Oi Expressões eu apresentei primeiro no Donna Fashion Iguatemi. Me inspirei nas obras do Tim Burton, tanto os filmes quanto o livro, e na música “Uma delicada forma de calor” do Lobão. Usei o preto pra realçar as pregas, o matelassê e o tramado.

COL Por que a escolha da cor preta para toda coleção?

CB - A escolha do preto foi, principalmente, pra dar uma ênfase nesse trabalho minucioso de tramar e preguear. Além disso é minha cor preferida, e tem toda a história da depressão, dos problemas que eu tive na vida e que me levaram a ser o que sou. Toda coleção foi feita de uma bagagem cultural e sentimental minha.

COL Você trabalha com parceiros?

CB – Meus parceiros são meus amigos. Artistas plásticos, publicitários, costureiras, a Joka Serigrafia. São muitas forças que unidas formam a PANCA. A marca não é só minha, é uma grupo de pessoas que me ajudaram e me ajudam incansavelmente. Só falta alguém com dinheiro…

COL Em quais locais a PANCA é vendida?

CB – Por enquanto a PANCA está sendo vendida por encomenda. Se gostou de alguma peça é só me escrever que eu produzo e mando. Simples assim.

Para ver a moda da PANCA, acesse: http://www.flickr.com/photos/pancadona

Agosto/2009


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